Dentro e fora do Playroom

Transições de dentro para fora do playroom e vice-versa podem existir sem interrupções, para pais ou voluntários. No entanto, podemos ter desafios com uma criança que quer o nosso colo, que se agarra a nós se vamos sair do playroom ou uma criança que diz “Não!” e empurra a pessoa que vai entrar no playroom para fora dele.

Aqui vão algumas ideias que podem ajudar com este tipo de situações:

O que nós ACREDITAMOS é uma enorme INFLUÊNCIA nas nossas crianças! Se acreditarmos que o playroom é um quarto de oportunidades e absolutamente o melhor lugar para inspirarmos as nossas crianças a aprender e a crescer, as nossas crianças não vão resistir a querer lá estar! Elas vão estar entusiasmadas e interessadas em ter novas pessoas a brincar com elas no playroom. Se, por outro lado, temos dúvidas acerca do playroom ser divertido e útil para a nossa criança então não estaremos completamente dentro das técnicas do playroom e as nossas crianças vão pegar exactamente por esta hesitação. As nossas crianças estão sempre à procura de controlo – e se a nossa atitude não é consistente e temos dúvidas elas vão pôr à prova as nossas reações e respostas.
Se tem uma criança que frequentemente abandona o playroom, sugerimos que tranque a porta enquanto decorre a sessão. Assim há garantia que terão o melhor tempo de qualidade para poder ajudá-la e amá-la. Quando a criança fica dentro do playroom pode oferecer-lhe a continuação de um ambiente em que ela cresce e se desenvolve. Mais importantes ainda, as nossas crianças lidam com desafios de relacionamento e de conexão connosco, por isso queremos eliminar o máximo de jogos de controlo que podermos.
Queremos mostrar-lhes que somos pessoas fáceis de lidar e super divertidas para se estar, em oposição a pessoas que colocam obstáculos e não as permitem fazer aquilo que elas querem. Quantas mais vezes as nossas crianças saem do playroom, mais tempo passamos atrás delas pela casa, a impor-lhe limites. Fechar e trancar a porta é um limite para um quarto com milhares de oportunidades! Quando a nossa criança vai à escola, ela não pode sair da sala ou da escola quando lhe apetece, logo enquanto for o seu cuidador, está responsável pelo ambiente de aprendizagem – onde e como esta é feita.
Organize- se e crie um sistema para as suas próprias transições! Se tem a chave do playroom, deixe-a ficar no seu bolso ou num sítio específico dentro do playroom para que tenha controlo sobre esta transição. Faça cópias da chave para os seus voluntários para que não haja confusão quando chegue a hora de trocar com outra pessoa e ter de lhe dar a chave, a troca de pessoa no playroom pode já apresentar um desafio para a sua criança.
Existe ainda a possibilidade de colocar um tipo específico de puxador na porta que tem um botão do lado de fora, isto é, a pessoa que está fora pode de forma simples entrar e quem está dentro sabe onde está a chave se necessitar sair do quarto. A pessoa que sai do quarto pode trancar a porta pelo exterior e a próxima pessoa a entrar pode fazê-lo simplesmente porque o puxador só precisa de ser girado para desbloquear. Pode ainda colocar um ferrolho na porta e assim quem entra pode fechar a porta imediatamente ate que a outra pessoa que vai sair esteja preparada para o fazer e tranque a porta depois de sair.
Até a porta ou este sistema de transição estar a decorrer perfeitamente, talvez seja melhor um pouco de tempo extra para a transição de entradas e saídas do playroom. Pergunte aos seus voluntários se podem vir uns cinco minutinhos mais cedo e também se podem sair cinco minutos mais tarde até sentir que o sistema funciona na perfeição. Se não tiver este sistema de fechadura por botão exterior, um ferrolho no interior e exterior da porta será igualmente eficaz.
Vamos chamar à pessoa que vai sair do playroom Mãe Maria e à pessoa que vai entrar Voluntário João. A Mãe Maria consegue chegar ao ferrolho e abri-lo quando estiverem prontos para a transição. Pode ser benéfico instalar uma pequena janela na porta, é útil para a pessoa que vai entrar conseguir ver o que se está a passar até baterem à porta (mas não é estritamente necessário).

Quando é um desafio entrar e sair do playroom:

O Voluntário João irá olhar pela janela na porta e verificar onde está a criança no playroom. Se a criança não está perto da porta, este vai bater à porta; se a criança está perto da porta o Voluntário João espera. Depois de bater à porta, a Mãe Maria espera pelo momento certo para abrir a porta e deixar o Voluntário João entrar. Se estivermos a usar um ferrolho, quando o voluntário João entra tranca o ferrolho a seguir à sua entrada.
Agora estão os dois dentro do playroom… a Mãe Maria explica docemente à criança que vai ter que sair, dizendo que a ama e que o voluntário João está ali para brincar com ela. O Voluntário João aumenta os seus níveis de energia, entusiasmo e emoção e cumprimenta a criança e avança para o que eles estavam a fazer: junta-se ao que estava a criança e a Mãe Maria a fazer ou inicia outro jogo. A Mãe Maria diminui os seus níveis de energia, emoção e interesse. Normalmente isto funciona muito bem mas, por vezes, a criança pode começar a choramingar ou a tentar ir para o colo da Mãe Maria. É imperativo que a Mãe Maria não fique entusiasmada, nem com vontade de jogar ou dê à criança abraços ou atenção, o que pode provocar mais resistência fazendo com que seja mais difícil para o Voluntário João ser aceite. Sem se baixar ao nível da criança a Mãe Maria explica uma vez mais que vai sair, que ama a criança e que esta a verá mais tarde. Depois vira-se para a parede onde está a porta e continua calma e serena. Este processo ajudará o Voluntário João a assumir o controlo de forma tranquila.
Tome o seu tempo, continue numa posição de amor e aceitação e saiba que a sua criança está bem e acredite que sair do playroom é uma grande oportunidade para ela ser mais social. Depois quando eles estiverem ocupados a fazer algo, deslize pela porta e saia. Se eles continuam fixos em si (Mãe Maria), o Voluntário João pode explicar que a Mãe Maria precisa de sair e que ela não irá brincar mais com eles. Entretanto, a Mãe Maria fica calada. Eventualmente a criança perceberá que a Mãe Maria já não é tão divertida e focar-se-á no Voluntário João.
Não minta à sua criança… Queremos que as nossas crianças acreditem em nós… e isso significa ser verdadeiro. É tentador dizer “Volto já!” ou “Vou só buscar um chá e já volto!” não é a verdade e não é um bom presságio para que a nossa criança se possa relacionar connosco.

Uma vez que a Mãe Maria tenha saído do playroom, a sua criança pode dizer ao Voluntário João “Não” ou “Sai daqui” ou “Não quero brincar contigo!”. Aqui João pode dar espaço à criança e de forma amável explicar que não vai sair do playroom mas ESTÁ TUDO BEM se ela não quer brincar com ele agora. Passados alguns minutos João pode tentar juntar-se a ela no que esta estiver a fazer.

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