Ah, as férias de Natal! Refeições especiais.
Encontros familiares especiais. E, claro, nossas crianças especiais! Muitas
vezes, entramos nas férias, esperando o melhor - mas não dedicamos o tempo
suficiente antes para nos certificarmos que este tempo de celebração realmente
será uma celebração para nós e para nossos filhos "especiais". Muitos
de nós, parecem participantes inconscientes em pelo menos, uma destas situações
que normalmente ocorrem durante a época festiva.
A maioria fica em sobressalto quando o nosso
filho especial está a ter colapsos a mais. Quando os membros da família parecem
desconfortáveis ou perdidos. Ou quando nós, nos sentimos stressados ou
esgotados.
Podemos culpar a agitação das férias, mas, na
realidade, não são as férias que causam esta dificuldade, são as armadilhas em
que inequivocamente acabamos por cair. E esta é uma grande notícia, porque
significa, que os nossos desafios são evitáveis!
Repare agora nos 10 mais frequentes razões
pelas quais entramos em stress durante as férias e veja como evita-las. Estará
agradecendo-se a partir de agora até o Ano Novo!
1.Parar
as estereotipias do seu filho ("ismos")
Dada a mudança de rotina nas férias, este é o
momento mais importante para que os nossos filhos tenham permissão para
auto-regular e lidar com o ambiente. Sabemos que os ismos são de extrema importância
para os nossos filhos e para o seu sistema nervoso. O ideal, obviamente, seria
podermos juntar-nos aos ismos dos nossos filhos. Mas, mesmo durante as férias,
quando não somos capazes de nos juntar aos seus comportamentos repetitivos,
podemos deixar os nossos filhos faze-lo livremente. E quando fazemos isso,
todos ganham!
2.Alimentação
do seu filho!
Sim, são as férias de Natal. Doçarias, todo
tipo de comida cheia de glúten e caseína, alimentos em abundância. Pode ser
tentador permitir que nossos filhos participem neste festim de comidas.
Poderíamos pensar que será mais fácil deixar que eles comam apenas desta vez.
Deixem-me assegurar-vos: não vai ser mais fácil! Há uma série de alimentos que
sabemos que não vão ser devidamente processados pelas nossas crianças. Sim, nos
primeiros minutos parece que, se permitirmos que comam de tudo, será mais
fácil. Mas poucos minutos depois ... Vemos que não é assim!! As crises, o
excesso de comida que comem, os comportamentos desafiadores as diarreias ou
obstipação com que ficarão depois, não valerá a pena. Decidir por antecipação,
manter estes alimentos longe de nossos filhos ou - melhor ainda - não tê-los de
todo fará a experiência das férias, um milhão de vezes mais fácil.
3.Surpreender
o seu filho
Às vezes, podemos estar tão ocupados a planear
e a preparar um passeio (por exemplo, ida a casa da avô) ou uma atividade (por
exemplo, fazer a árvore de Natal) que nos esquecemos de avisar um participante
crucial: nosso filho especial. Embora a nossa intenção seja de não surpreender
o nosso filho, isto é muitas vezes o que acontece quando vamos para um passeio
ou iniciamos uma atividade pois não explicamos tudo o que vai acontecer com a
devida antecedência. Mesmo para os nossos filhos não-verbais, explicar com
antecedência o que vai acontecer e que vai ser divertido para eles, minimizará
muitos acessos de raiva e maximizará a cooperação.
4.Dar
alternativas
É muito comum festejarmos esta época festiva
em casa de familiares. Por norma, esperamos que tudo corra da melhor forma, e
pensamos que infelizmente não temos muito controle sobre o assunto, que apenas
dependerá da predisposição do nosso filho. Mas a verdade é que, NÓS temos o
controlo! Mas o que fazemos! Podemos designar, com antecedência, uma sala calma
ou espaço onde o nosso filho pode ir descomprimir e acalmar, pois nestas
alturas o excesso de estímulos sensoriais existentes é sobre-estimulante para
eles. De vez em quando, pode realmente ajudar levarmos o nosso filho para esta
sala e passar algum tempo com ele/ela.
5.Focar
em parar comportamentos desafiadores
Por norma, e maioritariamente, reagimos mal
quando os nossos filhos se comportam de uma maneira desafiadora. Preocupamo-nos
com isso, olhamos para ele, e tentamos impedi-lo assim que acontece.
Ironicamente, isso coloca todo o foco sobre o que NÃO queremos dos nossos
filhos. Se não queremos que nossos filhos batam, por exemplo, com foco em
"não bater" pode realmente originar mais bater. Em vez disso, podemos
celebrar cada vez que as nossas crianças façam algo que nós queremos. Se temos
uma criança que às vezes bate, pode fazer uma enorme diferença procurar ativamente
qualquer momento em que o nosso filho é carinhoso e meigo -e festejar
loucamente!
6.Dar
um presente muito estimulante
Claro, temos muito prazer no momento de dar
presentes aos nossos filhos. Mas quando se trata das nossas crianças especiais,
queremos ser especialmente conscientes relativamente ao tipo de presente que
vamos dar. Se damos um presente com luzes a piscar e que emite um sinal sonoro
alto, estamos " a pedir" um comportamento desafiador mais tarde.
Devemos perder algum tempo e avaliar com sinceridade se o presente que estamos
a pensar dar não terá estímulos a mais que contribuirão para um excesso de
estimulação dos nossos filhos que são já tão sensíveis a nível sensoriais.
7.Deixar
as nossas crianças fora do processo de dar
Nós pensamos sempre no nosso filho especial
ao comprar presentes. Mas pensamos na nossa criança especial como um doador
potencial de presentes? Pensar noutras pessoas - o que eles querem, o que
poderíamos fazer por eles - é um elemento essencial da socialização que
queremos que nossos filhos aprendam. As férias natalícias proporcionam a
oportunidade perfeita para isso! Podemos, com antecedência, estar com o nosso
filho especial e ajudá-lo a criar algo para uma ou mais das pessoas especiais
na sua vida. (Estes presentes e atividades podem variar de muito simples a mais
complexas, dependendo do nível de desenvolvimento do nosso filho.) Então, no
dia de dar presentes, podemos convidar nossa criança especial para entregar (o
melhor que ele ou ela pode) todos os presentes que ele ou ela fez.
8.Esperar
que a sua família "entenda"
Muitos de nós, às vezes, sentimo-nos
frustrados com alguns membros da nossa família por não serem mais compreensivos
e sensíveis quando se trata do nosso filho especial. Mas, lembre-se, se os
membros da nossa família não vivem com o nosso filho, eles não vão
"entender". Ao levarmos as nossas crianças especiais a casa de
familiares para as comemorações natalícias ou para uma visita, podemos, antes
de ir, enviar e-mails a explicar o que eles podem fazer para tornar a visita
mais agradável para nós e nossos filhos. Podemos aproveitar esta oportunidade
para explicar porque é que súbitos ruídos altos podem ser problemáticos, ou
dizer a todos a resposta a nossa criança gosta de ouvir quando ele ou ela faz a
mesma pergunta repetidamente. Desta forma, podemos preparar tudo a favor do
nosso filho.
9.Pensar
que as atividades precisam acontecer fora de sua casa
Sabemos que as crianças do espectro do
autismo fazem sempre melhor quando não estão sobre-estimulados por as muitas atracões,
sons, cheiros e eventos imprevisíveis do mundo exterior. Assim, podemos criar
experiências nas nossas casas que normalmente acontecem no exterior. Por
exemplo, em vez de ir a um desfile de natal com um festival de luzes, podemos
colocar luzes de Natal à volta da casa, desligar todas as luzes, e por a tocar
música de Natal num volume que o seu filho suporte. Muitos preocupam-se com o
facto de estarem a privar estas crianças de experiencias natalícias divertidas,
mas tenha em atenção que, de qualquer forma, quando os nossos filhos não
conseguem digerir a experiência, eles não estão a ter a experiência divertida
que queremos para eles. É por isso que, se nós podermos criar uma versão de
fácil digestão da atividade dentro de casa, as nossas crianças podem realmente
desfrutar da experiência. Assim, na verdade estamos a dar aos nossos filhos
mais e não menos
10.Ver
o embrulho em vez do presente
Muitas vezes, ficamos presos nos acessórios
das festas - a árvore, os presentes, os passeios que tem que ser feitos
exatamente como planeado. Não há problema em arranjar coisas divertidas, mas
lembre-se que estes são apenas enfeites. Eles não são o presente, eles são
apenas o embrulho. O presente é nosso filho especial. O presente é a partilha
calorosa com as pessoas que amamos. Em vez de usar as férias como um festival
de planeamento, podemos usá-lo para ver a beleza na singularidade do nosso
filho, para celebrar o que a nossa criança pode fazer, e sentir e incentivar a
compaixão pela forma diferente com que a nossa criança vivencia o mundo.
Raun Kaufman, primeira criança com autismo recuperada através do método Son-Rise
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